
Conheça a Verdurada, um espaço de discussão e encontro com bandas de hardcore e palestras.
Por: Daniela Degaki e Isabelle Alegro
Um evento que mistura hardcore, punk rock, vegetarianismo, Straight-edges e palestras com engajamento político. Esta é a Verdurada, que acontece bimestralmente na cidade de São Paulo desde 1993. No inicio era um grupo de amigos que se reuniam em uma casa alugada. “Essa história começou em 1993/1994, quando rolava Verdurada na casinha. Era show para um público de 20 a 30 pessoas”, disse André Mesquita, um dos organizadores. O evento alcançou grandes proporções e atualmente chega a reunir cerca de 800 pessoas em um galpão localizado na Rua Anita Costa, 155, ao lado do metrô Jabaquara. “A única diferença entre a Verdurada realizada na Casinha para e a do Galpão (Jabaquara) são das pessoas que organizam, mas o som e o ideal são os mesmos”, comentou Paula Mathias Paulino Bolta, frequentadora do evento desde 2005.
E não é a toa que o nome no festival é Verdurada, os alimentos vendidos não possuem carne e derivados de animais como ovo e leite. “A comida é um fator importante, porque não é todo lugar que temos uma alimentação voltada exclusivamente para nós, veganos”, comentou Natalia Maria Pio, vegana e frequentadora do evento á 3 anos. Além dos veganos, há também o público Straight-edge, que é um modo de vida associada ao punk rock e a abstinência em relação ao uso de drogas e álcool. É proibida a entrada com álcool e o uso de cigarro no recinto. “Já teve gente que não faz parte do Straight-edge e quis entrar bebendo só pra arrumar confusão, mas isso aconteceu poucas vezes. Quando é cigarro, pedimos para a pessoa fumar lá fora”, comentou André.
As bandas que tocam no evento são independentes e alternativas. “Hardcore e Punk não são somente estilos musicais, são manifestações de algo muito maior, englobando visão de mundo, a forma como você quer ser visto, de acordo com sua ideologia. Vai muito além de um gosto musical, até porque esses estilos são formas de protesto, levando à tona o que achamos que é certo”, disse Natalia.
Na dinâmica dos shows há sempre uma dança coletiva, mais conhecida como mosh-pit ou bate cabeça, que é fundamental para a proposta de interação as bandas e do público. Além dos shows há também a realização de palestras que é um dos diferenciais do festival. “Eu gosto de pensar no evento como um espaço de discussão e de encontro. Geralmente alguém chega com algum tema, e daí a gente pensa na palestra”, disse André. E completa: “Os shows de Punk e Hardcore já existem por aí. Cada um do seu jeito, uns mais outros menos independentes. E onde a Verdurada pode fazer algo diferente e interessante nesse sentido? As palestras podem ajudar nisso”. Para Paula a palestra é um ótimo momento para se informar. “Teve palestras ótimas como, por exemplo, do Dr. Érick Slywitch, sobre Alimentação sem carne, com o pessoal do Gato Negro, e outros”.
A Verdurada é produto nacional e é a prova de que é possível organizar eventos de sucesso sem patrocínio e divulgação na mídia "Com o dinheiro arrecadado dos ingressos, cobrimos os gastos com aluguel do espaço, equipamentos, enfim, com toda a estrutura. O evento se paga e, se sobrar uma grana, investimos em campanhas ou apoiamos algum movimento, como já fizemos com os sem-teto", explicou Luciano Juliatto, organizador.
Mais informações e Próxima Verdurada no site: www.verdurada.org
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